Los Angeles fará reúso de seus efluentes para abastecimento

Publicado em 31/03/2019 17:46:17



A cidade de Los Angeles localizada na Califórnia, é a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos e tem em mente um novo projeto de água que pode custar cerca de US$ 8 bilhões, levar 16 anos para ser concluído e fornecer até um terço do abastecimento de água da cidade. As autoridades municipais não estão pensando em construir um novo reservatório, encher a área costeira com usinas de dessalinização ou arrastar icebergs do Ártico. O que eles estão focando realmente é sobre o rio de efluentes tratados que são despejados no Oceano Pacífico, diariamente, a partir das estações de tratamento da cidade.

Com esta mudança espetacular, em uma cidade conhecida por obter a maior parte de seus recursos hídricos longe de seu território, o prefeito Eric Garcetti prometeu no final de fevereiro que a cidade vai reutilizar todo o seu esgoto no ano de 2035 e usá-lo para reduzir sua dependência de água importada (transferência de água) de outras bacias. Nas palavras de Richard Harasick, gerente do Departamento de Água e Energia (DWP) da cidade, “é uma mudança radical nas regras do jogo”. Atualmente, o reúso de água contribui com apenas 2% das necessidades hídricas da cidade. O atual governo municipal indica que esse número pode aumentar em até 35% se a cidade parar de despejar seus efluentes tratados no oceano e, em vez disso usá-los para recarregar aquíferos locais, o que permite que a água seja fornecida aos seus clientes.


Para alcançar este objetivo, serão necessárias as reabilitações técnicas caras da estação de tratamento de esgoto Hyperion, bem como novos poços para recarga, a construção de uma adutora com 25 km e por até 8 bilhões de dólares em financiamento pelo Departamento de Água e Energia (DWP) que pagaria pelo serviço. O plano também exigirá uma mudança na percepção dos moradores de Los Angeles, que há 18 anos conseguiram anular um projeto municipal que procurava usar efluentes tratados para a recarga do aquífero do Vale de San Fernando. As autoridades municipais estão otimistas. Eles indicam que os anos de seca, as reduções de transferência de água entre as bacias e o grande prestígio de um programa similar em Orange County, também na Califórnia reduziram a rejeição deste tipo de proposta. Nas palavras do gerente do Departamento de Água e Energia (DWP), “os cidadãos aceitam neste momento. Entendemos que isso deixou de ser um obstáculo no progresso desta iniciativa”.

Por uma década, as companhias de saneamento do Condado de Orange têm usado efluentes tratados para recarregar um aquífero regional que é usado como fonte de abastecimento de água. Companhias de saneamento públicas no sudeste do Condado de Los Angeles vêm realizando iniciativas semelhantes desde 1962.

O fator determinante deste ambicioso projeto da cidade é a estação de reúso de água de Hyperion, ao lado da praia de Dockweiler Dockweiler State. Esta estação trata 81% dos efluentes na cidade e despeja aproximadamente 750.000 m3/dia de efluente tratado no oceano através de um emissário submarino com 8 km de comprimento na Baía de Santa Monica. A cidade pretende modernizar a estação Hyperion, fornecendo uma tecnologia de tratamento avançada e injetar a água tratada para o interior, de modo que possa recarregar os aquíferos localizados na maior parte da bacia de Los Angeles. Os aquíferos têm uma grande capacidade de armazenamento, graças a recentes iniciativas judiciais que liberaram uma capacidade notável em aquíferos locais. Nas palavras do diretor técnico da companhia municipal de saneamento, “temos a tecnologia e sabemos muito bem o que precisa ser feito. Acreditamos que estamos em uma boa posição de partida. ”

No entanto, uma das coisas que falta é financiamento. Nas palavras do vice-reitor da UCLA, “o dinheiro será o fator mais importante. É uma iniciativa muito ambiciosa para a cidade. Mas se olharmos para o planejamento que tem sido feito há anos, descobriremos que esse tópico já estava sendo discutido. Este é um novo conceito para a gente. Tenho certeza de que a cidade pode financiar um programa como esse por meio de títulos, subsídios ou empréstimos governamentais com juros baixos “. Sua previsão para o ano de 2035 é que os suprimentos fornecidos para o reúso de água, que atualmente são mais caros que a água importada, custarão aproximadamente o mesmo que a água importada.

Atualmente, incorporar a água de reúso diretamente nos sistemas municipais de abastecimento vai contra a política estadual. As regulamentações atuais exigem que a água se movimente por um certo tempo nos aquíferos ou reservatórios e se misture com água de outras fontes. Mas o estado está considerando estabelecer outras normas para permitir que as agências de água evitem essa etapa intermediária. Quando isso acontecer, o DWP poderá usar uma parte da água de reúso para a recarga de aquíferos e incorporar outra parte diretamente no sistema de distribuição e abastecimento da cidade. À medida que a cidade consegue capturar fluxos mais altos das enxurradas da drenagem urbana que agora vão para o oceano durante as tempestades, também será capaz de redirecionar a água da chuva para o sistema de esgoto, tratá-los e adicioná-los às reservas subterrâneas.

Nas palavras de Josué Medellín Azuara, professor de engenharia ambiental da Universidade da Califórnia, na cidade de Merced, “as cidades do sul da Califórnia estão na vanguarda da diversificação de suas fontes de abastecimento de água”. O objetivo do reúso proposto por Los Angeles é muito ambicioso, mas acho que é viável”.

Finalmente, a excelente reportagem do jornal Los Angeles Times What role should the L.A. River play in a future Los Angeles? mostra claramente o grande desafio que todas essas mudanças significarão na gestão dos recursos hídricos locais. Pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), sugere que se a cidade capturar grandes volumes de escoamento e de água tratada, o rio Los Angeles ficará seco por vários meses do ano, afetando seriamente os esforços de revitalização que foram realizados ao longo dos últimos anos.

Como a principal agência dos programas e iniciativas ambientais da cidade, a LA Sanitation (LASAN) protege a saúde pública e o meio ambiente através da administração e gestão de três áreas de programas: Água Limpa (Efluentes), Recursos Sólidos (gestão de resíduos sólidos) e Proteção de Bacias Hidrográficas (águas pluviais).

Esses programas de infraestrutura coletam, tratam, reciclam e descartam os resíduos sólidos e líquidos gerados pela segunda maior cidade do país, com mais de quatro milhões de habitantes. Por meio desses programas essenciais de serviço público, a LA Sanitation oferece uma base tripla de benefícios econômicos, ambientais e sociais que sustentam a qualidade de vida em Los Angeles.


FONTE: PORTAL DO TRATAMENTO DE ÁGUA / Publicado em 27/03/2019


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