Resiliência

Publicado em 21/03/2017 15:45:28



+Resiliência na escassez de água.

                                                                                      “ O grande perigo em tempos de turbulência, não é a turbulência em si, mas o agir com a lógica de ontem”. (Peter Drucker)


Março de 2017, chove no nosso Ceará, algumas cidades do interior já estão verdes, mas nossos reservatórios ainda estão com menos de 9% de sua capacidade, a FUNCEME prevê chuvas nos próximos meses mas alerta que serão insuficientes para repor os grandes reservatórios e garantir nossa segurança hídrica.

Mais um ano que se inicia com incerteza hídrica e já são cinco anos seguidos.

Olhando ao redor do mundo, nos relatos dos cientistas e da mídia, constatamos a frequência dos eventos ditos extremos, antes esparsos, como grandes secas, altas temperaturas, enchentes e nevascas.

Cabe o clichê, “O clima do planeta Terra está em ebulição“, vivemos uma era de rápidas mudanças, grandes incertezas climáticas e riscos não menores.

Sabemos que a falta de água desestabiliza o homem, destrói riquezas, compromete colheitas, rebanhos, criatórios, impacta a indústria, quebra contratos, gera desemprego.

A falta de água reduz a arrecadação e sobrecarrega o poder público, forçado ao suprimento alternativo de água às populações através de obras emergenciais, necessárias porém caras, e sem falar nos efeitos colaterais na saúde pública, nas migrações e na violência.

Apenas a possibilidade de futuras crises de água, já impacta significativamente as tomadas de decisão nos negócios e o crescimento econômico no tempo presente, nos condenando a um ciclo continuado de pobreza.

Enfim, os custos econômicos e sociais decorrentes da escassez de água e suas incertezas, são cada vez mais insustentáveis em vários países.

Infelizmente, face a nossa geografia, estamos no olho do furacão, precisamos encarar nossas vulnerabilidades, tomar consciência que o cenário mudou. A crise de água que passamos, diferente das anteriores, pode estar associada às mudanças climáticas, serão mais frequentes, mais intensas e imprevisíveis e ameaça nosso futuro.

Temos que discutir esse novo contexto, repensar soluções e abordagens tradicionais. Os velhos remédios são suficientes? A simples delegação ao poder público a gestão da crise de água, ou os votos de fé a São José é adequado e sustentável?

O momento requer inovação, novas abordagens, atitudes e ações. É necessário, como cidadãos, encontrar formas de engajar-se, agir proativamente para “esperar o inesperado”.

Em tempos de mudanças, crises e incertezas em regiões submetidas a estresse; desenvolver +Resiliência nos grupos, comunidades e organizações, tem sido um caminho universalmente adotado e com sucesso.

Resiliência é um tema com muitas definições, como: “A capacidade de sobreviver, adaptar-se e crescer diante de cenários de mudanças e turbulências".

Cabe a pergunta, por que +Resiliência ? se existem outras metodologias e técnicas consagradas.

O enfrentamento de problemas complexos, onde se inclui as mudanças climáticas, com soluções lineares, tem se mostrado ineficaz, os especialistas sugerem +Resiliência nos grupos e comunidades, como uma alternativa efetiva.

+Resiliência, na estratégia de enfrentamento das crises e turbulências, exige especificidades como; o engajamento e a confiança do grupo, trabalho coletivo e em redes, diversidade de grupos e ideias, inovação, entre outros, de modo a se obter e compartilhar os melhores recursos e estratégias, no enfrentamento dos problemas.

Em tempos de rápidas mudanças e muitas incertezas, +Resiliência busca “preparar-se para o inesperado“, antecipar-se na percepção dos sinais de mudanças, tornar “o invisível visível”.

Mas cada crise ou circunstância é única, não há modelo organizacional pronto, portanto, criar modelo e estratégia de combate ao problema, adequado a sua realidade, é uma das primeiras tarefas do grupo.

A Resiliência tem como pilares chaves o conhecimento e a consciência dos problemas, a diversidade de pessoas e ideias no processo de criação, a convergência e alinhamentos na estratégia de enfrentamento de crises, assim como mecanismo de autorregulação.

No atingimento de +Resiliência busca-se o empoderamento dos grupos e comunidades com o habilidades e competências, são os verbos “ Clusters” citados pelo professor Erik Hollnagel, construir capacidade regenerativa, perceber a emergência das mudanças, responder as crises e rupturas e aprender e se transformar a cada crise.

O desenvolvimento dessas habilidades ocorre de forma interligada, simultânea, não linear e é função de cada contexto.

A construir capacidade regenerativa envolve entre outros; criar acesso para compartilhamento de recursos, estimular o empreendedorismo, a liberdade pessoal, dar acesso ao aprendizado, ao treinamento e a educação, desenvolver confiança e cooperação, acessar novas tecnologias, estimular a inovação, promover a boa governança local e estimula instituições saudáveis, entre outros.

Perceber a emergência dos riscos, é desenvolver nos grupos a capacidade de ouvir ou perceber os sinais de mudanças, trata-se do exercício de fazer “o invisível visível “, como diz o prof Andrew Zolli .

Estar perto da realidade é um primeiro passo para se obter maior engajamento e +Resiliência. Ao mesmo tempo é fundamental a resposta adequada nos momentos de crises, assim como o aprendizado e a transformação com as crises.

+Resiliência não significa desenvolver modelos que evitem crises ou turbulências, mas equipar o grupo ou a comunidade ,com habilidades que os permitam sobreviver ou performar bem ou melhor em situações de estresse.

+Resiliência é um trabalho de médio e longo prazo, exige flexibilidade e humildade, para correção de rumos sempre que necessário e foca em dois aspectos principais; a continuidade e a recuperação face a mudança.

Investimentos em +Resiliência geram ganhos econômicos em 03 dimensões, segundo o banco Mundial, pois; reduz as perdas nas crises, gera empregos nas ações proativas e possibilita ganhos colaterais para a comunidade.

Nossa proposta alinhada aos objetivos do Instituto Água é de contribuir na disseminação do tema +Resiliência no estado do Ceará, voltado a questão hídrica por meio de:

- Divulgação nos grupos de interesse;

- Formação de grupos de estudos;

- Estímulo a inclusão no programa das escolas;

- Capacitação de facilitadores;

- Projetos-piloto;

- Marcos regulatórios.


Nota: Optamos por +Resiliência, pois a resiliência é intrínseca a cada indivíduo, grupo ou comunidade, num grau maior ou menor, o objetivo portanto é construir, aumentar ou desenvolver Resiliência.


Antonio Cesar Silva – Engenheiro.


contato@institutoagua.org.br


Março, 2017